Quarta-feira, Novembro 11, 2009

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Uns de outros tantos insultos meus às artes plásticas
(Nem til, nem cedilha... nem vergonha:)
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Tentativa de abstracao II


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Despertar


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Experimento com auto-retrato



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... e no oitavo dia,
Deus se encantou pela beleza
e decidiu ficar: 
Rio de Janeiro
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Domingo, Agosto 30, 2009

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Sem mais delongas, passemos às atualizações: número 1: ERRATA: No exato momento em que o último texto deste blog foi publicado, D. Lirinha decidiu que - somente para si -  tempo e envelhecimento agora seriam inversamente proporcionais. Nas seis semanas em que admirada a observo, não houve um dia sequer em que o estado de saúde da matriarca não superasse, em muito, o do dia imediatamente anterior. A neta aqui mordeu a língua... e com que gosto! número 2: A DEIXA: Diante da desconcertante afronta à leis naturais, resolvi recarregar o estoque de sarnas-para-me-coçar e me ocupar não mais somente de loucos, como também de tempo, espaço, força, direção... Vou estudar Física! número 3: A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: "Quando é que essa menina vai ganhar dinheiro?!?" É o que pergunta meu tio (que é esquizofrênico) ao ser informado de que vou começar o doutorado. número 4: A IRONIA: Doutorado em esquizofrenia. Rá-rá-rá! Muito bom! número 5: A OUTRA PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR: Quem é mesmo o doido nessa família? número 6: A BOA NOVA: Essa contagem idiota também está me irritando! Até gosto de números, mas adoro palavras: En-ca-de-a-das, umaatrásdaoutra, eXpreSSas! Gosto de com elas mexer, bulir, jogar! Quando meu mundo cresceu e do Português
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tranquilo
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suave
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materno
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tive de me   a f a s tar, a brincadeira ficou cansativa... me zanguei com as palavras! Podem os linguistas de plantão ir logo catando pedras portuguesas para me acertar, mas vamos combinar que uma língua só para o mundo todo estaria de muito bom tamanho! A-d-o-r-o palavras, mas a humanidade dominando aí alguma forma eficaz de telepatia... Já estou dentro do novo esquema! Só que a vida, sabe como é, não liga muito para meus fundamentados caprichos e adora me fazer piada! Há uns... cinco anos? - ainda que não continuamente - me debato com o Alemão. A língua Alemã é - com a liberdade de tomar emprestada de Dra. Lizete a expressão que até hoje melhor a definiu  - um nó! Assim exatamente como meu (outro) tio um dia carinhosamente me definiu: um nó cego! É língua de preciosismo tão assustador, que já me delicio com o absoluto êxtase de meu eventual encontro com a tal expressão mágica para a qual não exista tradução ainda mais irritantemente exata em Alemão... Ou, em Alemão: "Vorfreude". Línguas me pegam pela palavra escrita. Ou consigo alguma liberdade no papel ... Ou a gente ainda não se pertence! Então a idéia é escrever o livro (aquele que parou na página cento e...) em Alemão! Os que agora voltaram à OUTRA PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR e estão novamente a questionar a sanidade mental de quem estas linhas escreve percebam, pois, a brincadeira! Ah! A gente perde o livro, mas não perde a piada! Um ser desagradável qualquer plagiou um poema meu. Levemente chateada, quase que "emputo" (pensando bem, acho que fiquei chateada mesmo!) e reúno em um livro estas e outras bobagens que andei escrevendo! Não fosse o tal do juízo ressurgir e me empurrar para as coisas que por agora mais interessam... O livro voltou para o mundo das idéias, mas a minha avó - ô rapaz! - está aí, vendendo gaiatice!
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Quarta-feira, Março 11, 2009

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A Bruxa, a maga
Está partindo
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Aqui de longe
Tão impotente
Quanto quem ao seu lado está
Posso sentir a Dona
Maria
- Pimenta -
Lira
Agarrada à última chama de vida
Com fome,
Que força!
Como pode!?
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Quando lágrimas
Lavam por terra
Minha pretensa racionalidade
E uma ponta de egoísmo
Ousa pedir um pouco mais de tempo
A fé em dimensões
Insondáveis
Como os desígneos de Deus
Lhe deseja uma passagem
Digna da sua grandeza
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Solta, vovó!
Solta
suave
Os punhos dessa vida!
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A senhora fez bonito!
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Pela licao de fé
No impossível,
No indizível,
No inimaginável,
Obrigada!
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Aqui fico mais um tempo
Com a saudade
e a lembranca
- viva -
da sua alegria
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Tudo na medida do meu imenso amor!
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Terça-feira, Dezembro 02, 2008

"Nothing right in my left brain,
nothing left
in my right brain"
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Uma vez um colega de faculdade hipotetizou que imediatamente após aprendermos exatamente a mesma coisa, ele saberia um pouco mais e eu, um pouco menos. A observação me irritou de imediato, afinal sempre fui a garotinha esperta da mamãe! Um pouco de distância do episódio me ajudou a entender a colocação. Sou de natureza ignorante: Uma nova informação é apenas mais uma no grande hall das incertezas de tudo o que ainda não sei. A Medicina é efetiva porque se basea numa intrincada linguagem de “certezas”, em que sinais X + sintomas Y + resultado do exame W = doenca Z. Claro que estou simplificando… e muito! Na mais das vezes, Z + Y podem ser também S, L, D ou Sabe Lá Deus! Com uma eficiente formatação, vulgo „pratica”, fica mais claro o resultado. É um conhecimento que se constrói pela necessidade de convertê-lo em efetivas ações e não há duvidas: Quando dele dependem vidas, é fundamental estar certo. Afinal, o paciente vem até você porque você, mais do que ninguém, sabe! Como o colega habilmente sacou, minha mente está mais voltada para a incerteza das infinitas possibilidades. O saber, mais que um seguro destino, sempre me caiu mais como uma pista para o desconhecido. É o “não sei” que me movimenta. Como todos os caminhos tortuosos nos levam ao que desejávamos desde o principio, nos transtornos mentais encontrei dúvidas suficientes para atar toda a minha irrequieta ignorância. Com a liberdade de outra metafórica simplifição, em Psiquiatria ninguém está muito certo de nada, o que garante um amplo espaço para uma eventual reviravolta no paradigma corrente. Duvidando o suficiente para não confiar tanto assim nela, decidi me aprochegar pelas beiradas. Desde setembro estou às voltas com um mestrado em Neurosciências aqui em Berlim. Convicta adepta do auto-didatismo, não foi mole encarar seis horas de aula por dia! O rigor germânico me impondo 100% de presença e as minhas sagazes colegas biólogas alemãs discutindo cada ângulo de toda molécula envolvida me azucrinaram o juizo. Quem já se deparou com livros de Medicina sabe que eles não são lá muito “leves”. O jeito é partir pra uma leitura ultra-rápida, quase como um anti-virus a detectar e deter só os pontos, digamos, fatais. Aí me vem um professor-doutor-cientista-maluco indicando quarenta gráficos de vinte experimentos que conduzem a uma, eu disse uma, mísera sentenca de conclusão! O buraco, como se diz...

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.....é bem mais embaixo

e o caminho até a tão sonhada verdade pode levar, 10, 20, 30 experimentos, quem sabe toda uma vida... e durar só até um cidadão matreiro enxergar o mesmo problema por um ângulo ligeiramente diferente. Oh yes, baby, a ciência é de velocidade imprevisivel e o livro texto é de fato só uma bela amostra do que a a curiosidade e observação humana produziram ... Anteontem. Aos 25 anos e (duas semanas?), minha mente entra num outro ritmo de funcionamento. E não é que algumas das irritantes perguntas das minhas ultra-espertas colegas biólogas alemãs começam a pipocar na minha caixola tupiniquim? Agora entendo por que basta pesquisar mais a fundo um assunto pra encontrar como referência algum diligente cientista germânico: Os caras sao céticos, diretos, precisos. Da fronteira de tudo o que ainda não entendo, avisto um turbilhão de perguntas e nem precisa dizer: Estou aprendendo um monte!

Sábado, Agosto 30, 2008


O primeiro paciente veio ao chão
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Não morreu o homem. Apenas quase me matou de susto, desabando sobre a frágil maca do consultório. Saiu ileso. Ufa! Também de todo não se perdeu o exame. Levantou-se de súbito o senhor de seus 40 anos, atestando, ao menos, o primor de seus reflexos. Depois deste, em três semanas, foram cerca de 180 outros pacientes... Atendidos. Gozadora a vida: Cerca de quatro anos atrás, era o Dr. Dalgimar afirmando que o destino da geração médica atual era o Programa de Saúde da Família (PSF) e eu batendo o pé que não. Meu destino, de fato, não é o PSF, mas a experiência me libertou profissionalmente. Para quem está prestes a entrar em um ciclo de 2-3 anos na pesquisa, trabalhar como médica do PSF foi uma experiência vital. Idealizando - como de costume - a clínica médica e me embrenhando assim direto pela pesquisa, as chances de encerrar precipitadamente a prática médica seriam imensas. Se só mesmo o batente para transformar um diplomado em Medicina em médico de verdade, melhor enfrentar de vez o pavor do equívoco e do despreparo. Isso ou permitir que os medos se convertam em feras grandes demais para a cabeça suportar. Bicho da cidade, também perdi o medo de cachorro, quase comi capote, conheci avestruz, senti na pele o calor de esturricar e respirei a poeira ardosa do sertão. Também me converti em atlas dermatológico: Foi escabiose, Tinea corporis e eczema de contato. Sem contar a rinite e faringoamigdalite. Além da hipocondríaca somatização ou mera debilidade imunológica, como queiram, marcou-me também o singular dia-a-dia de uma cidade do interior cearense, apimentado por uma campanha política em que o principal candidato atende pela alcunha de "pit bull". As pinturas do cachorro (aqui nenhum joguete de palavras com a pessoa do senhor atual prefeito) correm o risco de perder os testículos, considerados obscenos por figuras opositoras. Também a academia de ginástica de Forquilha vai deixar saudade: Academia da RiSO! Huhauahuahuhuahua É Risoletta o nome da dona do estabelecimento. Sem intenção de cutucar o criador, essa sim é onipresente! Elétrica, Riso ocupa todos os possíveis espaços. A pulso firme comanda a aeróbica, o jump, a hidroginástica, a musculação, a natação... - Ô Senhor! - o grito é com o ofegante menino de cinco anos, apoiado na borda da piscina - Vai se aposentar aí mesmo? Também guardo como terna lembrança a delícia de ter como companheiros de aventuras queridos colegas de turma. Voltar para o "Hotel e Churrascaria Petisco" (quem disse que não há glamour na profissão médica?) e rir, dividir, perguntar, crescer... Fez o tempo passar rápido de tão bom!
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Nada como uma bela dose de realidade contra o desassossego infundado!
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Só pra não perder o gosto pelos ganchos arriscados, encerro com uma citação atualíssima que me chegou por duas vezes essa semana:
"O médico verdadeiro não tem o direito de acabar a refeição, de escolher a hora, de inquirir se é longe ou perto. Aquele que não atende por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe, ou no morro; aquele que sobretudo, pede um carro a quem não tem como pagar a receita, ou diz a quem chora à porta que procure outro - esse não é médico, é negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros e compensar os gastos da formatura. Esse desgraçado, que manda, para outro o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única espórtula (esmola) que podia saciar a sede de riqueza do seu espírito, a única que jamais se perderá nos vaivens da vida." Dr. Bezerra de Meneses

É mole?


Terça-feira, Agosto 05, 2008


E se eu recomeçasse?
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109 páginas depois de "E se eu começasse a escrever meu livro hoje?" encaro o primeiro esboço impresso e me pergunto o que diabos disto seria aquilo que pensava escrever. Eu, formada. Estranho, né? Bom, eu acho! O diploma - que está num sai não sai há uma semana - e um eloqüente carimbo violeta onde se leia:
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LIA SANDERS
Médica
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talvez me ajudem a assimilar a boa nova. Que nada! Um paciente com uma diarréia aguda que seja e inofensivos sais de reidratação oral por prescrever e caio na real! Enquanto a burocracia entrava um contato imediato com o Programa de Saúde da Família, me atraco com: O LIVRO... que até o presente momento não passa, diga-se de passagem, de um monte de "histórias afobadas", (taí um bom título!) vomitadas em corridos trinta dias. São inúmeros "causos", carentes da bendita liga do fio da meada, para dar o grude. O que diabos pretendo com esse romance? Que romance? Por que é que você tem de se meter a fazer romance? Tá doida, menina?
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- Tá atrasada?
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É o que pergunta o baiano tranqüilo, meu guia até o restaurante mais próximo. Eu vôo baixo a - no mínimo - um metro de distância e ele - claro - não compreende meu passo apressado, de férias, em plena Salvador. O baiano não imagina a minha fome de um bilhão de coisas. Loucura capaz de corroer a alma, mas absolutamente ineficaz quanto ao moderado curso do tempo. O diploma só sai quando o reitor bem entender e a desleal queda de braço com a burocracia pré-Alemanha - não tem jeito - requer mesmo o tempo de sobra de uma afoita e serelepe escritora. Tão apegada à idéia fixa do romance, coitada, ela perdeu algo da leveza, da sutileza, da inpiração!
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Escuta o baiano,
menina,
doutora,
maluca!
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Não se ponha prazo,
não se amarre um laço,
não se imponha medo!
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Tá atrasada?

Que nada!
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Tá nessa vida.
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Curta o passeio!
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Sexta-feira, Julho 11, 2008

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O mesmo impulso imbecil que me levou a inscrever quadros numa mostra competitiva de arte me instigou a participar de um concurso literário. A poucos instantes de cortar os laços com a Universidade, encontrei no concurso Escritor Universitário promovido pela Academia Brasileira de Letras uma boa oportunidade de me validar como escritora. Afinal, os seres capazes de reconhecer quem escreve que preste devem ser mesmo os imortais da Academia. Calma, nada de admissão pra ABL! Alguns inominados pingados selecionariam os três melhores textos, só isso... O que não impediu o inseguro devaneio: “Se eu ganhar esse concurso, é porque levo mesmo jeito pra escritora!” Como se o mundo da literatura funcionasse nesses termos... Eu sei, eu sei... Coisa de gente que se submete a provas de admissão desde os dez anos de idade e que desenvolveu o complexo de que só mesmo uma banca examinadora pode autorizar sua entrada em quaisquer que sejam os campos de atuação... Tsc tsc!

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O tema: Sem ética não há progresso.

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“? ... Puta merda!... Sem ética não há progresso... Que saco!” Honestamente, ética e progresso nunca me foram conceitos muito claros. Saiu um texto nada filosófico, uma tímida tentativa de brincar com os utópicos valores. Não ficou nem sério, nem engraçado, nem dentro, nem fora do tema, nem bom, nem ruim. Como o melhor que minha alma pôde oferecer ao assunto, mandei o ensaio.
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Há uma semana comecei as primeiras páginas de um romance que já vai pela página 38. Na verdade, 37,5. Intimamente, sempre soube que escreveria um livro. Romance ficcional sempre se pintou como um monstro na minha cabeça. Como é que a pessoa escreve 500 páginas? Meu impulso é contar logo o final! O ritmo do romance, diferente do da crônica – que, convenhamos, é mais minha praia - é o do deguste paulatino, detalhado. Minha gambiarra é a de construir o enredo em “causos” como se escrevesse o blog... Meio desengonçado o processo...

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Há três dias

soube o resultado do concurso.

Adivinhem?

Não.

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Tudo bem, tranqüilo...

Eu não queria mesmo!

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Há três dias

o livro não avança nem meia página.

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Hoje

celei um compromisso:

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* ACABOU * A * PROSTITUIÇÃO * LITERÁRIA! *
Não escrevo mais por renda, prenda ou qualquer coisa assim.
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Um escrito de 38 páginas é quase uma criatura que já atingiu número de células desconcertante o bastante para que uma interrupção caracterize aborto! O presente texto serve de confissão de expurgo para que eu possa voltar ao amador delírio literário.

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O livro vai sair!

Não me pergunte como.

Também não sei quando.


Neste espaço a escrita ganhou força e se tornou vital. Agradeço a vocês pela generosa leitura dos textos. Perdoem minha aparente apatia diante dos comentários: São sempre tão gentis, que fico sem graça!

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P.S. Abaixo, para fins de registro, segue o texto do concurso.

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(Sei se vale muito a pena não...)

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Agora as manchetes nacionais! Jornal do Dia: Ética deixa oficialmente o partido. Folhetim: Progresso será o próximo a abandonar o governo. O Capital: Sem Ética não há progresso...”

–Tenente Oliveira, quem é esse locutor?

–Zé do Rádio, Coronel.

–O senhor gosta do programa, tenente?

–Demais, senhor!

–Tenente, o senhor não acha que ele está um tanto equivocado no que se refere a seus conceitos político-filosóficos?

–Coronel, o Zé tá só passando a notícia!

–O que diz a nossa bandeira, tenente?

–Ordem e Progresso, senhor!

–Quem são os chefes do governo?

–Ordem e Progresso!

–O senhor mencionou alguma vez a Ética, tenente?

–Não senhor!

–Tenente Oliveira, o partido zela por princípios simples. Simples como a inteligência de nosso povo. Quando alguém vem falar na Ética e misturar toda sua conversa filosófica com Progresso - Progresso que se fundamenta na Ordem - nosso povo fica confuso! O senhor compreende?

–Sim senhor!

–Quero esse locutor amanhã, na sala de interrogatório!

General Ordêncio, primeiro ministro, apoiara a Ordem em um golpe militar em detrimento dos demais valores. Progresso, que não era de se definir assim de imediato, permaneceu no governo, o que garantiu certa popularidade. Já a Ética não se alinhou aos princípios da ditadura e acabou por se retirar da bancada. Assim, a intrínseca ligação entre Ética e Progresso ameaçava não só o absolutismo da Ordem, como também o cargo do General.

–Foi mal, Zé!

–Foi mal?! Tu me fodeu Oliveira!

Zé e Oliveira cresceram como irmãos. Oliveira, que entrara para a academia militar mais pelo sucesso do uniforme entre o público feminino que por entusiasmo pela ditadura da Ordem, mal podia acreditar na enrascada em que metera o primo. Zé precisava de uma solução mágica, saída que os dois agora buscavam numa mesa de bar.

–Sujou, Zé! O pessoal do quartel tá chegando aí!

–Re-pi-to: Sem a Ética, o Progresso sai do governo e a Ordem se lasca!– provocava Zé, num prenúncio de confusão.

–Fodeu, Zé! O General!

Zé do Rádio, que bem sabia o que o esperava na sala de interrogatório, também era mestre em brincar com a vaidade alheia.

–Deixa comigo, Oliveira!

Resolveu arriscar:

–General Ordêncio! Em nome da nossa rádio, gostaria de convidá-lo a uma participação especial no programa de amanhã! O senhor, homem de muita ciência e cultura, será de extrema relevância em nossa discussão sobre a aliança “Ordem e Progresso”!

O General, que bem gostava de uma platéia, não resistiria ao convite:

–Bom dia caros ouvintes, aqui quem fala é Zé do Rádio...

O nome do locutor ecoou na mente do General, lembrando-lhe certo interrogatório do qual se esquecera por completo.

–General Ordêncio, o Progresso, nosso ministro do desenvolvimento, está prestes a abandonar a base do governo. O povo quer saber, o que fazer para garantir o Progresso no país?

A resposta foi a automática associação do General:

–Não há quaisquer indícios de ruptura na aliança Ordem e Progresso!

–O senhor acha que o Progresso resiste ao desacato aos bons costumes, aos deveres, ao modo de proceder dos homens em relação a seus semelhantes?

Tudo aquilo soava tão militar...

–Claro que não!

–Sem se determinar o que é bom, tanto para o indivíduo como para a sociedade como um todo? Sem crítica ao julgamento de caráter moral?

–Não...

–Ao desacato ao homem, à injustiça e à ineqüidade, General?

–Não! – declarou o militar já algo confuso.

Era preciso arrematar antes que o entrevistado se desse conta do jogo:

–Como entusiasticamente defende o general Ordêncio, meus caros amigos, sem Ética não há Progresso!

O general agora precisava de um tempo para reordenar as idéias.

–Eu não disse nada disso, rapaz!

–Ética e Progresso! – prosseguia irrefreável o jornalista. – Ética e Progresso, meu povo!!!

Quando tudo soou muito inovador ao General, o clamor já se espalhara pelas ruas. Seguiu-se que Revolução tomou o país e a Ética se aliou ao Progresso. Democracia aproveitou o ensejo para organizar novo pleito e Honestidade fiscalizou tudo. A chapa Ética e Progresso arrebatou as urnas. Alegria contagiou o povo e Felicidade apoderou-se dos corações - até mesmo da Ordem - que cansou da mesmice tirana e ensaiou um samba para comemorar!

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Fim!

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